
Barcelona

Atração turística
O Passeig de Gràcia é uma avenida de 1,3 quilómetros que atravessa o bairro do Eixample de Barcelona, desde a Plaça de Catalunya até à Avinguda Diagonal — e é, sem dúvida, a rua com maior densidade arquitetónica da Europa. Originalmente um caminho de terra que ligava Barcelona à então independente vila de Gràcia, foi formalizado como passeio em 1827 e radicalmente remodelado após 1860, quando o engenheiro Ildefons Cerdà delineou o seu famoso plano em grelha para a expansão do Eixample. A burguesia industrialista da cidade apressou-se a construir as suas mansões aqui, contratando os arquitetos mais ambiciosos da época e criando inadvertidamente uma galeria ao ar livre do Modernismo Catalão que nenhum museu poderia replicar.
O trecho mais célebre da avenida, entre a Carrer del Consell de Cent e a Carrer d'Aragó, é conhecido como a Manzana de la Discordia — o Quarteirão da Discórdia — uma referência irónica a três obras-primas rivais situadas a poucos metros umas das outras. Antoni Gaudí concluiu a alucinatória fachada com escamas de dragão da Casa Batlló em 1906; Lluís Domènech i Montaner terminou a Casa Lleó Morera, de influência neogótica e flamenga, em 1906; e Josep Puig i Cadafalch entregou a Casa Amatller, de estilo gótico flamengo, em 1900. Mais acima na avenida, a Casa Milà de Gaudí — universalmente conhecida como La Pedrera — foi concluída em 1912, com a sua ondulante fachada de calcário e varandas de ferro forjado a merecerem a classificação de Património Mundial da UNESCO em 1984. Sob os pés, os calçamentos hexagonais — com motivos de polvos e estrelas-do-mar — foram originalmente desenhados por Gaudí para o pátio interior da La Pedrera e posteriormente adotados como pavimento padrão de toda a avenida.
Percorrer hoje o comprimento total do Passeig de Gràcia significa atravessar simultaneamente várias camadas da história: fachadas do Modernismo no plano superior, lojas de marcas de luxo ao nível da rua, e o espírito de um passeio do século XIX preservado nos ornamentados candeeiros de ferro fundido desenhados por Pere Falqués em 1906, cada um encimado por um banco de cerâmica e lanternas esféricas. A avenida ganhou reconhecimento internacional para além da arquitetura quando o urbanista norte-americano Allan B. Jacobs a destacou no seu influente livro de 1993 Great Streets, citando a sua combinação de passeios largos, cobertura arbórea e variedade arquitetónica como um modelo de design urbano para todo o mundo. Os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 aceleraram a sua transformação num destino de luxo reconhecido globalmente, e atualmente figura consistentemente entre as ruas comerciais mais caras do planeta.
Os visitantes devem planear pelo menos meio dia para percorrer a avenida na totalidade e entrar em pelo menos um edifício — o terraço da La Pedrera e o interior inundado de luz da Casa Batlló requerem reserva antecipada e esgotam com semanas de antecedência na época alta. A melhor luz para fotografia incide nas fachadas ocidentais ao final da tarde. As linhas de metro L2 e L3 param na estação Passeig de Gràcia, diretamente sob o Quarteirão da Discórdia. Se os azulejos do pavimento lhe chamarem a atenção, pequenas reproduções em cerâmica estão à venda na loja da Casa Batlló — são a única versão oficialmente licenciada do design original de Gaudí.
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