
Rome
Atração turística
A Piazza Navona deve a sua característica forma oval alongada não a qualquer arquiteto barroco, mas ao Imperador Domiciano, que construiu neste local um estádio atlético com capacidade para 30.000 pessoas por volta de 85 d.C. A pista media aproximadamente 275 metros de comprimento e, durante séculos após a queda de Roma, os romanos construíram casas e mercados diretamente sobre as antigas arquibancadas de pedra — a própria palavra "Navona" é provavelmente uma corruptela de in agone, latim para "nos jogos". O bairro medieval foi gradualmente preenchendo as terraças, enquanto o piso da pista se tornava um dos principais mercados a céu aberto da cidade, função que exerceu continuamente até 1869. Quando o Papa Inocêncio X encomendou uma remodelação completa na década de 1640, estava essencialmente a dourar um esqueleto de 1.500 anos.
A peça central dessa remodelação é a Fontana dei Quattro Fiumi (Fonte dos Quatro Rios) de Gian Lorenzo Bernini, inaugurada em 1651. Quatro colossos de mármore representando divindades fluviais — o Nilo, o Ganges, o Danúbio e o Rio da Prata — simbolizam os quatro continentes então conhecidos pelos cartógrafos europeus, reclinados sobre uma dramática formação rochosa de travertino da qual se ergue um obelisco egípcio antigo com 16,5 metros de altura. O obelisco, originalmente fabricado para Roma sob Domiciano e posteriormente transferido para o Circo de Maxêncio, foi encimado com a pomba da família Pamphilj, símbolo heráldico de Inocêncio X. Ladeando a praça encontram-se duas fontes complementares: a Fontana del Moro a sul, projetada por Giacomo della Porta em 1575, com Bernini acrescentando em 1653 a figura central do Mouro a lutar com um golfinho; e a Fontana del Nettuno a norte, também com a bacia de della Porta, embora o seu vigoroso grupo escultórico de Neptuno só tenha sido adicionado em 1878. Dominando o flanco ocidental está a Sant'Agnese in Agone de Francesco Borromini (iniciada em 1652), cuja fachada côncava e torres sineiras gémeas formam um contraponto teatral deliberado à fonte de Bernini — os dois mestres eram notoriamente rivais, e a lenda romana (quase certamente apócrifa) afirma que a divindade do Nilo cobre os olhos para não ter de olhar para a igreja de Borromini.
Os visitantes de hoje vivenciam a praça como um palco em contínua animação. Retratistas de rua e pintores instalam os seus cavaletes ao longo do perímetro, enquanto os cafés envolventes — incluindo o histórico Tre Scalini, berço da sobremesa de trufa de chocolate tartufo — espalham mesas pelos paralelepípedos ocres. Em dezembro, a praça transforma-se no mercado de Natal mais atmosférico de Roma, uma tradição enraizada na Festa della Befana do século XVII, quando o espaço acolhia historicamente vendedores de brinquedos e doces na véspera da Epifania. O Palazzo Braschi, que ocupa o canto sul, alberga o Museo di Roma e o seu elegante pátio neoclássico, que bem vale um desvio.
A entrada na Piazza Navona é gratuita a qualquer hora, sendo que o amanhecer ou o final da noite oferecem a melhor luz e as menores multidões. As paragens de autocarro mais próximas ficam no Corso del Rinascimento, a dois minutos a pé para este. Os carteiristas são ativos, especialmente junto à Fonte dos Quatro Rios durante as horas de pico da tarde, pelo que mantenha os sacos fechados e à frente do corpo. É proibido sentar nas bordas das fontes, sendo esta regra aplicada com coimas. Para o ângulo fotográfico clássico da Fontana dei Quattro Fiumi, posicione-se na extremidade norte da praça olhando para sul, com a Sant'Agnese in Agone a elevar-se por detrás do obelisco.
Tours privados com guia local, ao seu ritmo.