Manneken Pis: O Ícone Mais Irreverente de Bruxelas

Atração turística

Manneken Pis: O Ícone Mais Irreverente de Bruxelas

Um menino de bronze com 55 centímetros que encarna o espírito irreverente de Bruxelas desde 1619.

Erguido a apenas 55 centímetros de altura na esquina da Rue de l'Étuve com a Rue du Chêne, o Manneken Pis é uma pequena escultura-fonte em bronze que representa um menino nu a urinar numa bacia abaixo de si. Concebido pelo escultor flamengo Hieronymus Duquesnoy, o Velho, foi encomendado pela Cidade de Bruxelas e instalado em 1618–1619, substituindo uma versão ainda mais antiga em pedra que ocupava o mesmo local desde pelo menos o século XIV. O próprio nome é dialeto bruxelense para "Menino a fazer xixi", e apesar de — ou precisamente por causa da — sua total ausência de grandiosidade, a estátua tornou-se o símbolo mais reconhecido da capital belga.

As origens da figura estão envoltas em lendas concorrentes. Uma versão conta que o filho pequeno de um rico mercador foi encontrado a urinar contra uma árvore após dois dias perdido pela cidade, tendo a estátua sido erguida em sua homenagem. Outro relato, mais dramático, descreve um menino que desativou uma bomba que ameaçava as muralhas da cidade ao urinar sobre o rastilho. Uma terceira lenda atribui a origem ao Duque Godofredo III de Lovaina, que, segundo se diz, ainda bebé, foi içado numa cesta acima das tropas em batalha para lhes levantar o moral — e terá urinado sobre os inimigos lá do alto. Nenhuma destas histórias é verificável, mas todas refletem o gosto dos bruxelenses pelo irreverente e pelo absurdo. O que está documentado é que o atual bronze foi roubado pelas tropas francesas em 1747, posteriormente recuperado, e que o Rei Luís XV de França ofereceu à estátua um elaborado traje barroco como ato formal de reparação — estabelecendo o precedente para a extraordinária tradição do guarda-roupa que perdura até hoje.

Esse guarda-roupa conta hoje com mais de 1.000 trajes oficialmente registados, conservados no Musée de la Ville de Bruxelles, a poucos passos da Grand-Place. O Manneken Pis veste-se com diferentes fatos ao longo do ano — desde Elvis Presley a um Mandarim chinês, passando por um futebolista belga — de acordo com um calendário publicado. Em dias de cerimónia, a bacia da fonte é ligada a uma torneira de cerveja e flui com ale belga, servida livremente aos transeuntes. A coleção de trajes foi inaugurada em 1698, quando o Eleitor da Baviera ofereceu o primeiro fato, tendo desde então recebido contribuições de chefes de Estado, embaixadas estrangeiras e clubes de fãs de dezenas de países.

Visitar a estátua exige quase nenhum planeamento: fica a três minutos a pé a sudoeste da Grand-Place e está acessível a qualquer hora. A afluência de visitantes atinge o pico entre as 10h e as 15h; chegar de manhã cedo ou ao anoitecer proporciona uma experiência visivelmente mais tranquila e melhor luz para fotografias. O calendário completo das cerimónias de troca de roupa — algumas acompanhadas de música e cortejos cívicos — é publicado no site oficial do Visit Brussels. Embora a dimensão da estátua surpreenda consistentemente os visitantes de primeira vez que esperam algo monumental, essa quebra de expectativas é precisamente o ponto central: o Manneken Pis é Bruxelas a recusar-se, como sempre fez, a levar-se demasiado a sério.

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