
Paris

Atração turística
O Musée de Cluny — oficialmente o Museu Nacional da Idade Média — ocupa um dos sítios arqueologicamente mais estratificados de Paris. A sua morada no 5.º arrondissement situa-o sobre as Thermes de Cluny, um vasto balneário público construído pelos colonos romano-parisienses por volta do século II d.C., tornando-o um dos melhores exemplos conservados de arquitectura galo-romana em França. As ruínas visíveis do frigidarium (sala fria), com a sua abóbada que se eleva a quase 14 metros e decorada com proas de navios esculpidas em pedra — emblemas da guilda dos barqueiros parisienses — ancoram a camada mais antiga do museu. Sobre essas ruínas ergue-se o Hôtel de Cluny, uma mansão do gótico tardio construída entre 1485 e 1510 por Jacques d'Amboise, Abade de Cluny, como residência parisiense da Abadia Borgonhesa de Cluny. A sua fachada com torreões, as mansardas em gótico flamejante e o pátio fechado constituem um dos mais belos exemplos sobreviventes de arquitectura doméstica do século XV na cidade.
A joia da coroa do museu é a célebre série de seis tapeçarias conhecida como A Dama e o Unicórnio (La Dame à la licorne), tecida nos Países Baixos meridionais por volta de 1500 e catalogada pela primeira vez no Château de Boussac em 1841 pelo escritor Prosper Mérimée, então Inspector dos Monumentos Históricos. Cinco tapeçarias retratam cada um dos cinco sentidos — paladar, audição, visão, olfato e tato — enquanto a sexta, com a inscrição À mon seul désir («Ao meu único desejo»), tem sido interpretada como a representação de um sexto sentido de livre-arbítrio ou entendimento. As tapeçarias foram adquiridas pelo Estado francês em 1882 e encontram-se expostas em Cluny desde então, alojadas hoje numa sala circular de clima controlado, construída de propósito para preservar os seus vermelhos e azuis vivos, obtidos através de corantes de granza e pastel-dos-tintureiros.
A coleção mais ampla abrange os séculos V ao XV e compreende mais de 23 000 objetos entre esculturas, entalhes em marfim, manuscritos iluminados, vitrais, ourivesaria e artefactos medievais do quotidiano. Entre os destaques encontram-se 21 das 28 cabeças de pedra originais dos Reis de Judá de Notre-Dame de Paris, decapitadas durante a Revolução em 1793 e redescobertos durante escavações em 1977. O museu passou por uma renovação significativa concluída em 2022, que restaurou o jardim a uma estética medieval com plantações de ervas medicinais e abriu novos espaços de galeria que integram melhor as ruínas romanas no percurso do visitante.
O museu é acessível pela estação Cluny–La Sorbonne na Linha 10 do Metro, ou a uma curta caminhada de Saint-Michel nas Linhas 4 e 10. A entrada custa 12 € para adultos e é gratuita para visitantes com menos de 26 anos provenientes de países da UE. As coleções estão encerradas às terças-feiras. Planeie pelo menos duas horas para percorrer as termas romanas, a rotunda das tapeçarias e as salas da mansão gótica a um ritmo tranquilo — a densidade dos objetos e a estranheza da arquitectura em camadas recompensam muito mais uma exploração pausada do que uma visita apressada.
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