Théâtre Royal de la Monnaie

Atração turística

Théâtre Royal de la Monnaie

A ópera onde uma única representação acendeu a Revolução Belga de 1830.

La Monnaie — conhecida em neerlandês como De Munt — é a ópera nacional da Bélgica e uma das instituições culturais com maior peso histórico na Europa. Situa-se na Place de la Monnaie, no centro de Bruxelas, no local de uma casa da moeda fundada sob o Ducado de Brabante, que emprestou o nome ao teatro. A primeira ópera neste local abriu em 1700, mas o atual edifício neoclássico foi construído em 1819 pelo arquiteto Louis Damesme, sendo posteriormente reconstruído e ampliado de forma substancial por Joseph Poelaert — o arquiteto que viria a ser responsável pelo monumental Palácio de Justiça — após um incêndio catastrófico em 1855. O resultado é uma imponente fachada com colunata encimada por um relevo no frontão esculpido por Jacques-Gilles Barbier, representando a harmonia das paixões humanas através de figuras alegóricas.

Nenhum acontecimento na história do teatro rivaliza com a noite de 25 de agosto de 1830. Durante uma representação da ópera La Muette de Portici de Daniel Auber — uma obra que retrata uma revolta napolitana contra o domínio espanhol — o dueto "Amour sacré de la patrie" inflamou de tal forma o público que os espetadores saíram para as ruas e o fervor revolucionário alastrou pela cidade em poucas horas. Semanas depois, os Países Baixos do Sul declaravam a independência do Reino dos Países Baixos e a Bélgica nascia como Estado soberano. A ópera detém assim a extraordinária distinção de ser o berço físico de uma nação. A independência oficial da Bélgica foi reconhecida pelas principais potências europeias na Conferência de Londres em janeiro de 1831.

Ao longo dos séculos XIX e XX, La Monnaie construiu uma reputação pela estreia de obras ambiciosas e pela promoção de talentos de classe mundial. A soprano Maria Callas atuou aqui, e a casa tornou-se particularmente célebre sob a direção artística de Maurice Huisman (1959–1981) e depois de Gérard Mortier (1981–1991), cujo mandato a transformou numa das companhias de ópera mais arrojadas da Europa, atraindo encenadores como Peter Brook e apresentando produções que deliberadamente provocavam e reexaminavam o cânone operático. Atualmente, o teatro tem capacidade para aproximadamente 1.100 lugares e mantém uma orquestra residente, coro e companhia de ballet.

Os visitantes que assistem a uma representação entram pela colunata para um auditório luxuosamente restaurado, com veludo vermelho, balcões dourados e um teto pintado — um espaço que recompensa quem chega cedo para o absorver antes de o pano subir. O teatro abre igualmente para visitas guiadas em datas selecionadas, que incluem acesso aos bastidores, às salas de ensaio e à histórica maquinaria de palco. A Place de la Monnaie, do lado de fora, é pedonal e fica a poucos minutos da Grand-Place; a estação de metro mais próxima é De Brouckère, nas linhas 1 e 5. Reserve bilhetes com bastante antecedência para as produções da temporada principal, pois os espetáculos mais populares esgotam com meses de antecedência.

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