Em 1890, o industrial catalão Eusebi Güell tomou uma decisão radical até para os padrões de uma cidade já vibrante pelo modernismo: abandonou os sufocantes distritos fabris de Barcelona e mudou sua indústria têxtil — junto com toda a equipe de trabalho — para uma colina coberta por pinheiros em Santa Coloma de Cervelló, a apenas 20 quilômetros a sudoeste da cidade. O que ele construiu lá não foi apenas um complexo fabril, mas um experimento social completo: uma vila autossuficiente com moradias, escolas, um teatro, uma loja cooperativa e uma igreja que se tornaria uma das construções estruturalmente mais audaciosas do século XX. Essa igreja foi confiada a Antoni Gaudí — e o que ele projetou em sua cripta entre 1908 e 1914 foi nada menos que o laboratório estrutural para a Sagrada Família. Colonia Güell é onde o sonho foi testado. Recebe uma fração das multidões que alinham em Park Güell ou na Sagrada Família, mas é, sem dúvida, o local de Gaudí mais intelectualmente fascinante de toda a Catalunha.
No trecho mais grandioso do Passeig de Gràcia em Barcelona — um boulevard repleto de joias modernistas que os locais chamam de Quadra da Discórdia — um edifício para todos os transeuntes. A Casa Batlló brilha como um ser vivo: escamas de cerâmica iridescente, uma linha de telhado que parece respirar, caveiras esculpidas nas varandas de pedra. Foi encomendada por um rico magnata têxtil, transformada por um arquiteto visionário e concluída em 1906 como uma declaração que redefiniria o que um edifício urbano poderia ser. Esta é a sua história.