Eusebi Güell i Bacigalupi foi o patrono das artes mais influente de Barcelona, mas também um industrial progressista genuíno — uma combinação rara e contraditória na Espanha da Restauração. Em 1890, frustrado pelo crescimento urbano excessivo, conflitos trabalhistas e as condições catastróficas do distrito operário do Raval em Barcelona, Güell transferiu sua fábrica de tecelagem de algodão, o Vapor Vell de Sants, para um assentamento planejado em Santa Coloma de Cervelló. A mudança não foi uma atitude altruísta: Güell acreditava que uma força de trabalho saudável, com moradia e educação, seria mais produtiva. Ele foi influenciado pelas cidades industriais paternalistas da Inglaterra — New Lanark de Owen, Port Sunlight de Lever —, mas quis dar à sua versão uma alma distintamente catalã.
A construção da colônia começou a todo vapor em meados dos anos 1890. No início do século XX, Colonia Güell abrigava cerca de 400 trabalhadores e suas famílias — quase 2.000 pessoas — vivendo em casas geminadas projetadas pelo arquiteto Francesc Berenguer, o colaborador mais próximo e amigo de longa data de Gaudí. Berenguer, que nunca obteve o título oficial de arquiteto, desenhou a maior parte dos edifícios da colônia: os alojamentos dos operários, o cassino-teatro, a escola (inaugurada em 1895) e a loja cooperativa onde os moradores podiam comprar mercadorias a preços abaixo do mercado. A colônia ainda tinha sua própria banda de metais e uma biblioteca para empréstimo — amenidades revolucionárias para os trabalhadores industriais da época.
A relação de Güell com Gaudí foi uma das parcerias criativas que definiram o modernismo europeu. Ele já havia comissionado Gaudí para o Palau Güell na Carrer Nou de la Rambla (construído entre 1886–1890) e para o Parque Güell (iniciado em 1900). Para sua colônia-modelo, queria que Gaudí projetasse sua joia máxima: uma igreja que servisse à vida espiritual da comunidade. No Gaudí Unexpected Private Tour, os guias dão vida vívida a essa relação patrono-arquiteto, conectando Colonia Güell com a menos conhecida Casa Vicens para traçar toda a trajetória do gênio de Gaudí.
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