Na Berggasse 19, no nono distrito de Viena, encontra-se o apartamento onde Sigmund Freud viveu, tratou pacientes e escreveu os textos fundadores da psicanálise durante 47 anos consecutivos. Freud mudou-se para cá em 1891 com a sua esposa Martha, os seus seis filhos e a sua cunhada Minna Bernays, e foi entre estas paredes que produziu obras marcantes, incluindo A Interpretação dos Sonhos (1900), Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) e Para Além do Princípio do Prazer (1920). Recebeu pacientes no consultório adjacente — o cenário onde tomou forma o modelo terapêutico do divã do analista e da associação livre — até que a anexação nazi da Áustria, em março de 1938, o forçou ao exílio em Londres, onde veio a falecer no ano seguinte.
O museu, inaugurado em 1971 e sujeito a uma extensa renovação de 18 meses antes de reabrir em 2020, preserva a planta original do apartamento e do consultório num único piso do edifício. Uma vez que Freud levou consigo a maioria dos seus móveis e pertences pessoais quando fugiu — incluindo o seu famoso divã, oferenda de um paciente que hoje se encontra no Freud Museum de Londres —, muitas divisões estão deliberadamente desprovidas de mobiliário. Essa ausência é em si mesma uma escolha curatorial: os espaços esvaziados funcionam como memorial ao deslocamento forçado pela era nazi. Elementos originais sobrevivem em todo o espaço, e fotografias de arquivo expostas sala a sala mostram com exatidão como cada divisão era durante a ocupação de Freud. A sala de espera conserva o seu revestimento mural original, e o gabinete de trabalho preserva a disposição em que Freud trabalhava rodeado pela sua coleção de antiguidades. Uma reconstituição virtual permite aos visitantes experienciar o divã in situ sem sair da Berggasse 19.
O museu detém a mais significativa coleção mundial de material primário relacionado com Freud: manuscritos originais, primeiras edições, correspondência, instrumentos profissionais e um extenso arquivo fotográfico que abrange desde a sua infância em Freiberg (atual Příbor, República Checa) até aos seus últimos meses em Hampstead. Exposições temporárias rotativas alargam o horizonte para examinar o ambiente cultural e intelectual da Viena fin-de-siècle — a mesma cidade que produziu simultaneamente Klimt, Mahler, Wittgenstein e Arthur Schnitzler —, situando Freud no contexto mais amplo do colapso das certezas habsburgas e do surgimento do modernismo europeu.
O museu fica a uma curta caminhada da estação de metro U4 Rossauer Lände e é bem servido pelas linhas de elétrico D e 37. Estão disponíveis audioguias em vários idiomas, e a loja do museu é genuinamente uma das melhores de Viena, com edições académicas, documentos em fac-símile e objetos temáticos sobre psicanálise que vão muito além das habituais lembranças turísticas. Os visitantes com interesse particular na Viena judaica podem combinar a visita com o próximo Museu Judaico de Viena na Dorotheergasse, dado que a biografia de Freud é indissociável da história intelectual judaica da cidade.