A maioria das pessoas chega a Ibiza em busca de um pôr do sol ao som de DJs, mas parte sem saber que a ilha já cunhou suas próprias moedas com a imagem de um deus egípcio. Esse fato — moedas estampadas com Bes, a divindade anã protetora, circulando numa colônia fenícia chamada Ibossim por volta do século V a.C. — revela o quão complexa esta ilha realmente é. Muito antes do primeiro sistema de som ser ligado em um bar de praia, Ibiza já foi um importante centro comercial mediterrâneo, exportadora romana de sal, reduto mouro e cidade-fortaleza renascentista. Sua cidade velha, listada pela UNESCO, resiste há séculos. Suas salinas são exploradas desde a antiguidade. A ilha vizinha, Formentera, repousa sobre o organismo vivo mais antigo do mundo. Nada disso diminui a diversão dos clubes — mas reforça que as melhores atividades em Ibiza além das baladas merecem ao menos tanto seu tempo. Aqui está o ponto de partida.
Todas as quintas-feiras ao meio-dia, um grupo de agricultores e irrigadores se reúne na porta gótica da Catedral de Valência — a Puerta de los Apóstoles — para resolver disputas de água exatamente como seus antecessores fazem desde o século X: em pé, falando e saindo sem nenhum registro escrito. O Tribunal de les Aigües é o tribunal em funcionamento mais antigo do mundo e passa despercebido pela maioria das pessoas que passam por ali. Essa diferença entre o que é visível e o que realmente acontece é o que torna Valência uma das cidades mais fascinantes da Espanha para explorar a fundo. Fundada pelos romanos em 138 a.C., moldada por oito séculos de engenhosidade mourisca e hoje lar de um skyline futurista projetado por um arquiteto local, Valência sobrepõe civilizações com quase imprudente generosidade. Este guia vai além do clichê "paella e praia" para revelar a verdadeira profundidade da cidade — suas ruínas subterrâneas, catedrais contestadas, festivais de fogo e rituais locais que não mudam há milênio.