Dalt Vila — a cidade alta fortificada de Ibiza — impressiona vista do porto, mas a maioria dos visitantes admira-a apenas de baixo e segue adiante. Isso é um erro significativo. As muralhas renascentistas que a cercam foram encomendadas pelo rei espanhol Felipe II a partir de 1554, projetadas pelo engenheiro militar italiano Calvi para substituir uma colcha de retalhos de defesas mouras e fenícias anteriores. O resultado é um dos melhores exemplos preservados de arquitetura militar renascentista do século XVI na Europa, o que rendeu a Dalt Vila o título de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1999.
As fortificações são ancoradas por sete baluartes, cada um nomeado em honra a um santo, e a entrada principal — Portal de ses Taules — ainda ostenta o brasão original dos Habsburgos esculpido na pedra acima do arco. Ao atravessá-lo, a cidade sobe em camadas de história: vielas caiadas, um palácio do governador do século XVII e, no topo, a Catedral de Nossa Senhora das Neves. A construção teve início no século XIV no local exato de uma mesquita árabe, construída sobre um terreno sagrado anterior. A torre gótica é original; o restante foi remodelado no século XVII.
Descendo a colina de Dalt Vila está Puig des Molins, um dos maiores necrópoles fenício-púnicas do mundo. Mais de 3.000 hipogeus — câmaras funerárias escavadas diretamente na rocha — perfuram a encosta. Artefatos encontrados ali, incluindo moedas com o deus egípcio Bes, confirmam que Ibiza (conhecida pelos cartagineses como Ibossim) mantinha conexões comerciais que iam do Egito ao Mediterrâneo ocidental. O museu no local é pequeno, mas realmente extraordinário. Puig des Molins compartilha a lista da UNESCO com Dalt Vila — dois Patrimônios Mundiais a dez minutos a pé um do outro, e a maioria dos turistas de pacotes nunca visita nenhum dos dois.
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