Os Jardines del Real — universalmente conhecidos em Valência como Los Viveros — ocupam mais de 35 000 metros quadrados ao longo da margem norte do antigo leito do rio Turia, sendo os jardins históricos públicos mais antigos e extensos da cidade. As suas origens remontam ao século XIII, quando Jaume I de Aragão estabeleceu uma propriedade real neste local após a conquista de Valência em 1238. Ao longo dos séculos seguintes, os terrenos foram ampliados até formar um complexo palaciano completo, o Palau del Real, que serviu de residência principal dos reis de Valência e, mais tarde, dos vice-reis da Coroa de Aragão. O palácio acolheu figuras tão marcantes como Fernando e Isabel, que aqui assinaram documentos durante as suas estadias valencianas no final do século XV.
O próprio palácio foi demolido em 1810 por ordem do Duque de Mahon durante a ocupação francesa de Valência, sob o pretexto de negar cobertura às forças inimigas durante a Guerra Peninsular — ainda que a decisão tenha sido amplamente condenada como um ato de vandalismo cultural. O que restou foram os jardins, que a cidade de Valência converteu posteriormente em espaço público. O nome Viveros («viveiros») data do século XIX, quando o município utilizou o espaço para cultivar árvores e plantas destinadas ao programa de arborização da cidade. Esse legado botânico ainda é visível hoje na extraordinária variedade de espécies — ciprestes e laranjeiras centenárias, canteiros de rosas formais, lagos com lírios e palmeiras exóticas — que conferem aos jardins a sua exuberante e rica densidade.
Os visitantes entram por ornamentados portões de ferro forjado e percorrem uma paisagem que combina parterres formais ao estilo francês com alamedas sombreadas mais descontraídas. Entre os elementos de destaque encontram-se uma série de fontes clássicas em mármore, estátuas alegóricas distribuídas ao longo das avenidas principais e um pequeno jardim zoológico bem conservado, que é uma presença constante nos jardins desde finais do século XIX. Uma estátua equestre em bronze de El Cid, o célebre senhor guerreiro medieval castelhano, é um dos monumentos mais fotografados do jardim. A cada primavera, o jardim de rosas explode em cores durante os concursos anuais de rosas de Valência, e os jardins acolhem regularmente concertos ao ar livre e a célebre feira do livro da cidade, a Fira del Llibre, que se realiza aqui todas as primaveras desde 1982.
Os jardins estão abertos todos os dias das 7h30 às 21h30, com entrada gratuita, tornando-os uma das experiências mais gratificantes e sem custo de Valência. O espaço situa-se no bairro de La Saïdia, na Carrer del General Elio, diretamente adjacente ao Museu de Belas Artes (Museu de Belles Arts), formando juntos um itinerário cultural natural para uma visita de meio dia. As visitas matinais recompensam os madrugadores com o canto dos pássaros, o ar fresco e uma tranquilidade quase absoluta sob as laranjeiras; o final da tarde traz famílias locais, corredores e a luz dourada que se filtra pelas alamedas de ciprestes. Recomenda-se o uso de calçado confortável, pois o percurso completo pelo perímetro cobre bem mais de um quilómetro de caminhos.